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    Perdendo o Domingo

     

    Simplicidade do Interior...

     

    E mais uma vez é domingo. Dia de saudades antigas, de dores vividas; dos bons ventos. Descanso para uns, dia normal para outros. Passeio, igreja... esse espaço temporal do calendário traz em si significados particulares, vida.

    Quem já viveu um bom tempo traz recordações de alguns momentos bons vividos nos domingos. Antigamente, a vida girava em torno das fazendas, sítios, comunidades rurais. Cidade, apenas por necessidade. E como eram festeiros os domingos nessas paragens. Logo cedo se escutava rádios tocando músicas bonitas e uns outros com a Santa Missa. Os pássaros entoavam os melhores cantos, como que guardados com exclusividade para este dia. Nas casas de alpendre, vizinhos se reuniam para bebericar e falar de vida. Uns nas caçadas; outros nas pescarias. Era um movimento saudável, quase inesquecível frente às mudanças que se operaram entre as gerações. E não precisava muito para despertar a alegria de estar vivo, a celebração de todas as coisas, o bem, o amor, a convivência em comunidade. Existia o recato, respeito, bom humor e festa. E nada disso impedia que risadas fossem tiradas.

    Lembro de minha avó acordando todo mundo cedo com o falatório de sempre e o rádio nas alturas. Ritual quase sagrado, mas especial. Em pouco se sentia o aroma do café torrado mesclado com o cheiro característico de fogareiros de carvão sendo acesos. Os bons dias trocados, conversas reatadas. O céu se unia como por encanto deitando um azul diferente, mais límpido, com uma brisa celeste soprada por anjos. Poucos tinham televisão e era comum a reunião em casa de um privilegiado para se assistir Silvio Santos com o Qual é a Música. Antes, o ritual de alinhar corretamente a antena de um lado para o outro para achar a melhor sintonia do dois canais. E tinha uma chave que era virada para mudar de estação. Parece coisa à toa, mas era vida. Simplicidade, serenidade, paz.

    Hoje os domingos parecem dias normais. Aos poucos, as cinzas do relativismo vai encobrindo o sol. Os shoppings lotam passos tristes; os campos estão esquecidos com casas de varanda abandonadas, sem varais. São tantos os canais que causa um enjoo comum. E a Internet veio para separar o junto e unir o supérfluo, com sua torrente de conteúdos vazios.

    E se vai um domingo...e mais outro... sem a alegria que se fazia em outros domingos em que a vida era prioridade.

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