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SALA DE LEITURA: A Imortalidade, por Frei Damião.

Para este Sala de Leitura resolvemos trazer esse texto do Frade Capuchinho Frei Damião, o texto faz parte dos seus manuscritos de sermões e esteve publicado na revista que recebe o nome do missionário no ano de 2007. 



IMORTALIDADE - por Frei Damião.

 O homem dever ser imortal. Por que devo dizer a verdade, respeitar os bens alheios, combater as paixões, resistir aos instintos perversos, se a alma não existe, se o corpo é tudo, se o nosso destino se fecha com a vida presente e no além-campa não se deve prestar contas a ninguém das nossas obras? Por que devo fazer violência de mim mesmo, se o vício e a virtude devem ter a mesma sorte, isto é, a escuridão do sepulcro? Por que eu devo cumprir sacrifícios se o nada há de ser a única recompensa aos meus esforços, à minha generosidade? Um maquinista, apenas descido da locomotiva, dizia a Mons. Mermillad: "Oh, como é fatigante a nossa profissão! Às vezes, há algo que excita os nervos e faz nascer a vontade de arrebentar tudo e vingar-nos assim da sociedade. - E que é que vo-lo impede? Perguntou Mermilland. - O temor de sedes condenados? - Oh não, respondeu aquele homem, porque morreríamos também nós. Mas, pensamos que há Deus e que existe outra vida. Isto nos incute temor e nos detém".   É assim que a nossa consciência nos atesta a imortalidade da alma.

  O homem proclama altamente que é imortal. Abri todos os dicionários, interrogai todas as línguas: por toda a parte resplandece o dogma da imortalidade. Os povos atestaram o dogma da imortalidade com o culto dos mortos, com as visitas nos cemitérios, com as lágrimas com que tem banhado os túmulos. Sempre e por toda a parte se tem oferecido sacrifícios expiatórios para os mortos. Que prova tudo isso? Prova que os povos sempre acreditaram na sobrevivência do homem. Ter-se-ía rezado, oferecido sacrifícios por eles, se se acreditasse que tudo findava em nada? 

 Como os homens tomados em conjunto, concordam os que que se distinguem por virtude ou por sabedoria, em admitir uma vida ultra-mundana. Na vida presente, os justos são frequentemente desconhecidos e não são honrados senão no dia do seu sepultamento; mas, em meio as humilhações e aos seus sofrimentos, entrevêem e quase que sentem em sua mãos a recompensa que os espera no céu. Dizia um mártir ao seu algoz: " Tu podes esmagar-me, pulverizar-me, há de mim alguma coisa que jamais poderás vencer: é a minha alma; ela vem de Deus e para Deus volta". Os sábios não falam diversamente dos santos. Os mais sublimes gênios da antiguidade estão todos de acordo nisto. Em nossos tempos, os gênios cristãos reforçam a opinião dos antigos: os próprios incrédulos, os incrédulos mais celebres tem proclamado a existência de outra vida. Rousseau escreveu: " Se não houvesse outra prova da imortalidade da alma, se não o triunfo dos maus e a opressão dos bons neste mundo; isto só, bastaria para me impedir de pô-la em duvida. Uma contradição tão evidente me obriga a dizer a dizer: com a morte não acaba tudo para mim, a morte restitui a ordem em tudo". Voltarei disse: " A vida é um sonho e o morrer um despertar". O atroz Robespierre, que governou a França no tempo do reino do terror, mandou esculpir na fachada de um templo esta profissão de fé: " O povo francês crê em Deus e na imortalidade da alma". 

 Se, depois, há homens que repetem: " A alma não exite; com a morte tudo está findo", considere-los como insensatos. Todas as vozes da terra afirmaram o contrário; todos os povos deram testemunho à imortalidade da alma. Os que creem na vida futura são o oceano, os que não creem, são regatos perdidos, cujo murmúrio fica imperceptível. Em nome da humanidade, eu creio na vida eterna. 


Blog Coisa Nossa Pernambuco
Texto da Revista Frei Damião (ANO 1, nº 01) Maio de 2007.
Fotografia da Internet.

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