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OPINIÃO: Ditadura da Bandidagem

Uma arma e um cidadão amedrontado. Eis o Estado, que se diz de "direitos"

José Batista Neto

“Até um tempo desses, eu e a galera ia pra rua na noite do sábado, curtir, conversar, paquerar nas praças. Não tinha preocupação”.

“Hoje as ruas logo cedo ficam desertas. Ninguém é ‘doido’ de ficar até mais tarde..”


Esses e tantos relatos se tornaram consenso em cidades que até um certo tempo eram consideradas pacatas e boas para se viver. Esses adjetivos foram suprimidos por uma onda sem precedentes de violência: desde furto de celulares, carteiras, bolsas à assalto e, pasme você que me lê, sequestro. Se não sequestram fisicamente, lá tomaram por refém a tranquilidade e saudáveis costumes de outras épocas.

Vivemos num contexto social explosivo, em que a criminalidade alimentada cotidianamente pela impunidade e por leis caducas cercou o cidadão. Grades, cadeados, cercas elétricas, cães: recursos indispensáveis para quem deseja, ao menos, ter uma leve sensação de segurança.  Um não declarado “toque de recolher” foi ditado pela bandidagem e por essa estrutura estatal fragilizada. Investimentos que só assoberbam discursos e não passam de letras mortas em planos de governos registrados em cartório para assegurar o cumprimento do avesso.

Quem conheceu cidades, para ilustrar essas linhas, a exemplo de Camocim de São Félix, Sairé, São Joaquim do Monte, todas no Agreste de Pernambuco, sabe muito bem de como eram esses centros urbanos até uns 10 anos atrás. Não se falava tanto em assaltos quase diários. Estabelecimentos de forma ousada roubados em plena luz do dia e com requintes e deboche à essência do cidadão de bem, que tem uma arma apontada na sua cara.  

Me impressiona o discurso do Governo, em princípio, a nível estadual. Me espanta percorrer números que não refletem a realidade. Em peças bem elaboradas por equipes de assessores, se passa uma imagem cênica que nem por um segundo se aproxima do real. Esse idolatrado “Pacto pela Vida” está falido. Alguns números indicam redução das ocorrências de homicídios, enfim, mas não se respaldam quando confrontados com as ruas, rodovias, comércios, residências.  Numa determinada propaganda do Governo de Pernambuco, policiais militares são mostrados como se estivessem nos melhores dos mundos, recebendo salários dignos e dotados de logística condizente com a responsabilidade da profissão. É um engano querer incutir em nossas cabeças que estamos seguros se, ao sair para comprar o pão posso ter meu smartphone e dinheiro levados e ainda ser alvo de piada de ladrões que sabem que, mesmo detidos, em poucos dias estarão nas ruas, prendendo-nos.

Esse protagonismo entre tática falida e leis penais que remontam à década de 40 do século passado resulta nesse cenário que presenciamos boquiabertos, já que, moradores de cidades que eram sinônimas de calma, estão tão violentas e com mesmos problemas quais grandes centros. É preciso entender que existe a necessidade de mudanças profundas. Enquanto não, melhor rezar todos os dias pedindo proteção, pois nem devidamente trancados em nossas casas estamos imunes à ditadura da bandidagem.
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